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Passkeys e Credenciais Verificáveis
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Passkeys vs Credenciais Verificáveis: competição ou complemento?

Vivemos em um mundo digital onde senhas já não são suficientes. Todos os dias realizamos transações, acessamos serviços e compartilhamos dados pessoais online. Com tanta conveniência, também aumentam os riscos: fraudes, phishing, engenharia social, deepfakes e ataques impulsionados por inteligência artificial tornam-se cada vez mais sofisticados, especialmente em setores regulados como bancos, saúde ou mobilidade.

Nesse cenário, surgem dois grandes protagonistas da autenticação moderna: Passkeys e Credenciais Verificáveis (VCs). Ambos prometem um futuro sem senhas, mas com abordagens diferentes.

A pergunta que muitos fazem é inevitável: qual das duas é a melhor solução para proteger nossa identidade digital?

Passkeys: adeus às senhas

Os Passkeys são credenciais projetadas para substituir senhas tradicionais. Funcionam por meio de criptografia assimétrica, usando seu dispositivo como prova de posse. A biometria no dispositivo (Face ID) permite um acesso fluido e sem fricção e, quando não está disponível, é possível recorrer a um PIN de seis dígitos. Isso as torna resistentes a phishing e muito convenientes: um simples toque e você já está dentro do app ou plataforma.

Vantagens-chave:

  • Eliminam a necessidade de lembrar senhas complexas.
  • Reduzem o risco de ataques de phishing e roubo de credenciais.
  • São rápidas e fáceis de usar em múltiplos dispositivos quando sincronizadas via nuvem.

Mas nem tudo é perfeito. Embora os Passkeys sejam seguros e convenientes, eles não verificam quem você realmente é. Ou seja, sabem que o dispositivo é seu, mas não podem garantir que o usuário por trás dele seja quem afirma ser. Além disso, se a infraestrutura na nuvem que sincroniza seus Passkeys for comprometida, pode haver risco de exposição.

Em resumo, os Passkeys são excelentes para acessos rápidos e seguros, mas insuficientes para confiança plena na identidade.

Credenciais Verificáveis: a prova digital de quem você é

É aqui que entram as Credenciais Verificáveis (VCs), um documento digital criptograficamente assinado que contém atributos de identidade: nome, data de nascimento, idade, licenças ou certificações. Diferentemente dos Passkeys, as credenciais verificáveis de identidade (como Photo ID ou carteiras de motorista móveis) têm como objetivo principal verificar a identidade real do usuário, garantindo que quem interage digitalmente é quem diz ser.

Combinadas com autenticação biométrica avançada (não apenas biometria no dispositivo como Face ID, mas processos em que a verificação biométrica é realizada e validada por canais independentes), as VCs permitem alcançar Strong Customer Authentication (SCA) com alto nível de garantia (LoA). Essa abordagem é essencial para cumprir regulamentações como eIDAS 2, PSD3 ou AML5, onde não basta autenticar: é necessário demonstrar identidade com garantias reforçadas.

Pense em um exemplo real: ao solicitar um empréstimo online, um Photo ID em formato VC permite que o banco verifique sua identidade digitalmente sem enviar documentos físicos ou ver sua senha. Tudo é feito de forma segura, confiável e auditável.

Vantagens-chave:

  • Verificação real de identidade.
  • Cumprimento regulatório em setores altamente regulados.
  • Proteção contra fraude digital e falsificação de identidade.

As Credenciais Verificáveis permitem autenticar o usuário e, ao mesmo tempo, garantir de forma confiável sua identidade digital. São ideais quando se exige alto nível de garantia e conformidade regulatória, fornecendo rastreabilidade e evidência verificável em cada interação.

Resistindo a ameaças modernas: phishing, engenharia social e fraude impulsionada por IA

A segurança digital não é mais apenas sobre proteger senhas. Hoje, o principal vetor de ataque é phishing e engenharia social, cada vez mais sofisticados graças à IA generativa. Deepfakes, identidades sintéticas e automação inteligente amplificam esses ataques, tornando tentativas de fraude mais convincentes.

Aqui, tanto Passkeys quanto VCs se destacam, pois são baseados em criptografia de chave pública, tornando-os ferramentas essenciais para proteger transações remotas, bancos digitais, saúde e mobilidade, onde a identidade confiável é crítica.

O futuro será passwordless e trust-centric: não apenas eliminaremos senhas, mas também garantiremos que cada acesso digital seja legítimo e verificável.

Identidade digital com proteção integral

Se algo demonstra a evolução dos Passkeys e das Credenciais Verificáveis é que a segurança digital não pode depender de uma única camada. A fraude evolui, especialmente phishing e engenharia social, agora amplificados pela IA: falsificações mais convincentes, automação em escala e ataques projetados para explorar o fator humano. A resposta não pode ser pontual; precisa ser end-to-end.

Na Facephi, entendemos a identidade digital como um processo completo: desde a verificação inicial do usuário até a autenticação contínua e a detecção proativa de fraude. Por isso falamos de uma proteção integral baseada em múltiplos níveis de segurança, onde a identidade verificada, a autenticação sem senha e a análise avançada de comportamento trabalham juntas.

Não se trata apenas de permitir acesso, mas de garantir que cada interação digital esteja respaldada por identidade verificável, rastreabilidade e, quando necessário, as credenciais verificáveis podem atuar como registro de uma transação (por exemplo, em esquemas como AP2), fornecendo evidência criptográfica que reforça confiança e conformidade regulatória.

Conclusão

Se você quer melhorar a experiência do usuário e, ao mesmo tempo, cumprir regulamentações e se proteger de ameaças modernas, a estratégia correta não é escolher entre Passkeys e Credenciais Verificáveis. A estratégia correta é integrá-los:

  • Passkeys: para níveis de autenticação baixo ou substancial, eliminando senhas.
  • VCs: permitem alcançar níveis altos de autenticação quando se requer verificação reforçada de identidade e conformidade regulatória.

Ao combinar ambos, obtém-se uma autenticação digital robusta, resistente a ataques modernos e centrada na confiança — exatamente o que as empresas precisam para liderar na era digital.

A combinação de ambos oferece maior flexibilidade, permitindo adaptar o nível de autenticação e verificação ao contexto, risco e regulamentação aplicável, combinando diferentes fatores quando necessário para alcançar o nível de garantia exigido.